quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Nervos de aço

Os olhos arregalados, já não enxergavam com clareza.
A nebulosidade trazida pela poeira da rotina era visível
Por vezes, até risível.
Inchada, a pálpebra refletia o esforço em perceber
os mil tons de cinzas que se instalaram sem resistência,
em harmonia com malemolência em lidar com as decepções
E o coração duro, pouco maduro, poço ingênuo.
A esperança, por alguns anos escondida
largada de lado, num pranto sem plano.
Projeção do passado.
Perdido em nostalgia não vivida.
Com ânsia pelo futuro, fazer, plantar, colher,
Sentimentos,
Momentos intensos,
Necessidade de ser amado, compreendido, entendido,
Desejo de se esforçar, se projetar e assistir do ponto de vista do outro.
Mas os olhos arregalados, só enxergam a nebulosidade da poeira cinza.

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