quinta-feira, 25 de setembro de 2008

caminhos

De fato o propósito deste blog foi desvirtuado, acabou por se tornar porta para diversas manifestações. Não só pessoais. Também não se trata de um espaço profissional, na verdade como defesa, segue que misturamos no cotidiano toda heterogeneidade que constitui nossa identidade. Por tanto, não se assustem ou deixem de visitar e colaborar ou sim..............

Sem distinção

Eram pouco mais de 17 horas de uma terça-feira comum. Buzinas soavam, a nevoa turva e fétida dos automóveis deixava ofuscava as cores quentes de um fim de tarde em Salvador. A Avenida Antonio Carlos Magalhães, inegável ícone da selva de pedras, típica de centros urbanos com arranha-céus, obras inacabadas, outras a começar, edifícios comercias e residências, mega hiper e supermercados, shoppings, postos de gasolina, concessionárias, drive-true de fast-food, enfim, um mosaico de concreto, ferro e pouca madeira.
Transeuntes, motociclistas, motoristas, passageiros, vendedores ambulantes, meninos e meninas pedintes, crianças, bebes, cores, gêneros, fenótipos, estereotipo, diversidade e assaltantes!!!!!!!! Como distinguir, praticamente impossível.
Pois é, o fato que segue acontece com uma corriqueiramente de modo assombroso e as medidas de prevenção são ineficientes e as de punição são tão assustadoras quanto os acasos.
Terça-feira, o transito intenso, carros parados, menino pára na janela da motorista, carro guiado por uma mulher robusta, traços fortes, pele clara, cabelo escuro e cacheado, visivelmente tingido, provavelmente com seus 50 e poucos anos, vestida de modo simples, calça e camiseta, relógio no pulso, e reluzentes anéis e corrente, bolsa no de couro no banco do carona, som do carro ligado alto, desatenta, cantarolava alguma coisa. Menino pára oferece CD, DVD - Não brigado, outro pára começa a jogar água no pára-brisa para limpar-lo (ou sujar) em troca de alguns trocados, ela esbraveja, buzina, liga o limpa-vidro, outro vem pede dinheiro, nada nas mãos, se debruça no vidro entre aberto, não mais de 30 centímetros, uma mão no vidro outra no teto do carro - não tenho, -E Tia só uma moeda; abaixa a cabeça fita os olhos da mulher e !!!VAP!!!.... corrente sumiu, a ousadia não acaba ai, o magricela quase entra no carro pela abertura tentando chegar à bolsa, a mulher está estática, não se move, não ouve, não vê. Depois da eternidade de algumas frações de segundos ela grita, o motorista do carro ao lado grita, o de trás buzina, pessoas histéricas fazem coro – Ladrão pega Ladrão.
Então entra em cena um rapaz, também robusto, ele desce do carro, deixa tudo ligado corre atrás pega o menino, porrada, linchamento, o senhor enfurecido com o transito, indignado com o dia de trabalho desce também, e mais porrada, outras se aproximam e .... Sangue mancha um carro, menino arremessado no automóvel do lado, mulher e crianças de dentro gritam, mais sangue. Buzinas começam a soar, o transito poderia estar fluindo mais não, o carro dos juizes impedem, mais buzinas gritos xingamentos –Deixa o moleque, covarde!!! Rapaz entra no carro, menino no canteiro, velho entra no carro, menino no canteiro entre as duas pistas da Avenida, deitado, jogado, estatelado continua com a corrente no bolso. Terça-feira 20 horas não tem mais menino, nem transito intenso. Quarta-feira 17 horas carros, crianças, ambulantes, terça-feira 17 horas o mesmo, segunda-feira 17 horas..... sexta-feira 17 horas, quinta 17 horas................................................e a avenida segue.

Nervos de aço

Os olhos arregalados, já não enxergavam com clareza.
A nebulosidade trazida pela poeira da rotina era visível
Por vezes, até risível.
Inchada, a pálpebra refletia o esforço em perceber
os mil tons de cinzas que se instalaram sem resistência,
em harmonia com malemolência em lidar com as decepções
E o coração duro, pouco maduro, poço ingênuo.
A esperança, por alguns anos escondida
largada de lado, num pranto sem plano.
Projeção do passado.
Perdido em nostalgia não vivida.
Com ânsia pelo futuro, fazer, plantar, colher,
Sentimentos,
Momentos intensos,
Necessidade de ser amado, compreendido, entendido,
Desejo de se esforçar, se projetar e assistir do ponto de vista do outro.
Mas os olhos arregalados, só enxergam a nebulosidade da poeira cinza.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Se sair ou ficar

Se sair, encosta a porta devagar.

Se ficar não pede licença, pode sentar,

Vamos conversar!

Sobre coisa que deixamos para lá,

Pingos nos is, ir e voltar,

Aquietar, esperar a poeira abaixar!

Então, muita mentira e muita omissão,

Faltou o sossego e o aperto de mão.

Cumplicidade e sinceridade.

Não foi traição do tipo comum,

Guardamos rancor e ficamos afastados,

Fingimos esquecer para usar no futuro,

Como argumento, de um tempo sedento de contestação,

Ficamos em casa com pedras nas mãos,

Sem resolver o X da questão.

Se nos amamos para que tudo isso?

Não precisamos flagelar nosso carinho,

Ficando insensíveis, cegos e em ponto de bala.

Proponho acordo do tipo amistoso,

Começar novamente, olhando pra frente,

Deixar de cobrar, censurar e privar.

Vamos dividir preservando o do outro,

Conviver com os defeitos do lado de cá,

Pois do outro lado também há!!!

Parar de qualificar e quantificar as privações,

Permitir que o outro não enxergue virtudes,

Não exigir! Apenas pedir!

Afinal, se nos dispomos a viver em conjunto,

Junta-se a isso o resto do mundo,


domingo, 24 de fevereiro de 2008

TA FÁCIL NÃO!

TA FÁCIL NÃO!

TEM HORAS QUE A GENTE PENSA EM VIRAR LADRÃO

MEXE, REMEXE NO BOLSO E NÃO TEM UM TOSTÃO,

SÓ SE VE TRABALHO NA TELEVISÃO

TA FACIL NÃO!

TEM MUITO DINHEIRO EM POUCAS MÃOS

TEM MUITAS MÃOS PEDINDOS NAS RUAS,

QUERENDO ACHAR UMA SITUAÇÃO

SEI LÁ!

O TEMPO PASSANDO, O BACURI CRESCENDO

OLHANDO PRO LADO, SEMPRE ATENTO.

QUALQUER VENCIMENTO É DESPEJO AO VENTO

NÃO DÁ!

NÃO TEM JEITO DE IGNORAR,

ESTOURANDO CARTÃO OU OUTRO LUGAR.

NÃO DORME, NÃO CHORA, NÃO COME, NÃO MORA.

E NEM NAMORA ,

FAZ SAMBA PRA VER SE O TEMPO AFLORA.

NA FAUNA URBANA, SÓ VENCE NA TORA,

SENTA NO BAR, AMIGOS, CERVEJA,

NA VEJA!

SÓ TEM PIADA DO TIPO SEM GRAÇA.

DIRIA O POETA, NEM VELHO NA PRAÇA,

É UMA PENA NÃO GOSTAR DE CACHAÇA.